O que é Participação Política em 2016


(1984) - Os gregos davam o nome de polis à cidade, isto é, ao lugar onde as pessoas viviam juntas. E Aristóteles diz que o homem é um animal político, porque nenhum ser humano vive sozinho e todos precisam da companhia de outros, todo ser humano tem necessidades afetivas, psicológicas e espirituais. A própria natureza dos seres humanos é que exige que ninguém viva sozinho. Assim sendo, "política" se refere à vida na polis, ou seja, à vida em comum, às regras de organização dessa vida, aos objetivos da comunidade e às decisões sobre todos esses pontos.

Tratar de política é cuidar das decisões sobre problemas de interesse da coletividade, e por isso definiram política como sendo a "arte e ciência do governo".

Outros entenderam que a tomada de decisões sobre assuntos de interesse comum é sempre um ato de poder e, a partir daí, preferiram definir política como sendo "o estudo do poder".


POLIS - que o bom senso e a boa vontade de cada um criem condições para que uns colaborem com os outros e haja respeito recíproco, sem necessidade de uso da força.

Tendo em conta esta necessidade de dar uma direção às ações humanas sintetizaram o seguinte conceito: "Política é a conjugação das ações de indivíduos e grupos humanos, dirigindo-as a um fim comum." Faz-se necessária, então, desta coordenação de todos os elementos, o que dará coesão e força ao grupo e garantirá que todos os atos sejam dirigidos para o objetivo comum. Na polis, esse objetivo permanente, de conquista de uma ordem social livre e democrática, com a valorização do trabalho e a garantia de igualdade de possibilidades para todos, é um objetivo político.

* POR UMA PIRASSUNUNGA MAIS JUSTA E PARA TODOS ... *

Todos os problemas relacionados à convivência social são problemas da coletividade e as soluções devem ser buscadas em conjunto, levando em conta os interesses de toda a sociedade. Se todos reconhecerem essa necessidade e assumirem positivamente sua responsabilidade os conflitos serão superados de modo mais justo e mais de acordo com as necessidades comuns, em benefício de cada indivíduo e de toda a sociedade.

Todos os individuos têm o dever de participar da vida social, procurando exercer influência sobre as decisões de interesse comum. Esse dever tem, sobretudo, dois fundamentos: em primeiro (1) lugar, a vida social, necessidade básica dos seres humanos, é uma constante troca de bens e de serviços, não havendo uma só pessoa que não receba alguma coisa de outras; e segundo (2) lugar, se muitos ficarem em atitude passiva, deixando as decisões para outros, um pequeno grupo, mais atuante ou mais audacioso, acabará dominando, sem resistência e limitações.

Todos podem exercer alguma influência política, desde que tomem consciência de que são seres humanos iguais aos outros e de que não devem conformar-se com as INJUSTIÇAS. Como bem observou o filósofo Marcuse, o primeiro passo para um escravo conquistar sua LIBERDADE é ele tomar consciência de que é escravo. Para que os indivíduos marginalizados conquistem a possibilidade de participar ativamente das decisões é indispensável que ocorra primeiro sua transformação interior. È preciso que dentro de cada um nasça a convicção de que é justo e possível participar. Depois virá automaticamente o desejo de participação, sobretudo para os mais injustiçados. A experiência tem demonstrado que entre as classes mais humildes, amadurecidas pelo sofrimento, existe mais solidariedade e espírito comunitário do que entre as classes mais ricas e socialmente previlegiadas.

Aquele que denuncia uma injustiça está começando a destruí-la. E aquele que sabe que há injustiça e lhe dá apoio ou permanece indiferente carrega em sua consciência o peso de um dever não cumprido. Como fica demonstrado, o direito e o dever de particação política são duas faces da mesma realidade: a natureza associativa do ser humano. Tendo necessidade de viver com os semelhantes, cada indivíduo deve ter assegurado o direito de influir no estabelecimento das regras de convivência, pois sendo todos iguais por natureza não é justo que só alguns tomem as decisões que os outros ficarão obrigados a cumprir. Por outro lado, para que cada um tenha respeitados seus direitos e sua dignidade é preciso que ninguém fique indiferente, passivo, sem procurar influir na decisão dos assuntos de interesse comum.

( 3 )Todo ser humano tem o dever de participação política, para que a ordem social não seja apenas a expressão da vontade e dos interesses de alguns.

Como a história tem demonstrado, sempre que só um pequeno grupo decide é inevitável que esse grupo se corrompa, perdendo de vista sua responsabilidade social, e acabe dando preferência aos seus próprios interesses, gerando uma situação de injustiça, que impede a paz social, porque sempre existem pelo menos alguns que não aceitam passivamente as injustiças e lutam contra elas.



( Jeremias , 29 : 7 ) - " E buscai a paz da cidade, para a qual vos fiz transferir. E orai por ela ao Senhor: porque na sua paz tereis vós a vossa. "
 
Participação Individual e Coletiva

Embora todas as atividades de cada pessoa produzam efeitos sobre uma coletividade, existem algumas situações em que cada um deve tomar suas próprias decisões e escolher os seus caminhos. Na realidade, essa possibilidade de decidir faz parte da liberdade do indivíduo e dá a cada um a responsabilidade por suas escolhas. É aceito por todos que não se poderá conseguir qualquer mudança profunda na sociedade pirassununguense se não houver antes a mudança na consciência de cada um dos munícipes. De fato, muitas situações de injustiça não são corrigidas porque as pessoas que poderiam influir para corrigi-las não estão verdadeiramente dispostas a lutar pelas mudanças e a aceitar suas consequências. Na maioria das vezes essa acomodação ocorre porque tais pessoas são diretamente ou indiretamente beneficiárias das injustiças. Assim, pois, para a efetiva participação política o primeiro passo dever ser dado no plano da consciência. Dado esse passo está aberto o caminho para a plena participação, pois o indivíduo conscientizado não fica indiferente e não desanima perante os obstáculos. Para ele a participação é um compromisso de vida, exigida como um direito e procurada como uma necessidade. Em termos individuais a participação significa uma constante busca dos melhores caminhos, bem como o aproveitamento de todas as oportunidades para conscientizar os outros e para cobrar a participação de todos. A busca de caminhos se dá pela observação da realidade, pela definição de valores e de objetivos, bem como pela escolha do modo e do lugar de atuação.


A força do grupo compensa a fraqueza do indivíduo. Isso tem sido demonstrado através da história, nos mais diversos lugares e nas mais diferentes situações. Sempre existem caminhos para uma ação conjunta. Todo grupo organizado tem a possibilidade de exercer alguma influência política. Os grupos mais numerosos e mais bem organizados são, como é óbvio, capazes de exercer maior influência, podendo mesmo adquirir um peso considerável nas decisões dos partidos políticos e do próprio governo, em seus diversos níveis.


Participação Eventual e Organizada
Para se atingirem grandes objetivos políticos é indispensável um trabalho organizado. Isso porque toda proposta de modificação na vida social encontra a resistência dos interesses estabelecidos, dos acomodados ou daqueles que têm medo de toda transformação. Por esse motivo, mesmo as propostas que possam trazer maior benefício comum precisam de um trabalho constante e sistemático para serem aceitas e concretizadas. A organização traz uma série de vantagens para qualquer trabalho em busca de mudança social. Além da soma de forças, a organização possibilita a divisão do trabalho, o recebimento de mais informações, a obtenção de maior rapidez e amplitude na divulgação das propostas e a avaliação mais perfeita dos recursos, dos obstáculos e dos resultados conseguidos. Fundamental ainda, a organização tem maior possibilidade de assegurar a continuidade do trabalho, pois mesmo que algum dos membros deixe de agir por qualquer motivo os outros poderão prosseguir. Assim, pois, a participação política mais eficiente é a organizada, àquela que se desenvolve a partir de uma clara definição de objetivos e que procura tirar o máximo proveito dos recursos disponíveis em cada momento, assegurando a continuidade das ações.


Conscientização e Organização

A conscientização consiste em dar uma contribuição para que as pessoas percebam que nenhum ser humano vale mais ou menos que os demais e que todos podem e devem lutar constantemente pela conquista ou preservação da liberdade de pensar e de agir e pela igualdade de oportunidades e responsabilidades. O Trabalho de conscientização pode ser exercido no plano individual, nas relações diretas entre duas ou mais pessoas, como pode também ser exercido em maior amplitude, falando ou escrendo a coletividade, ainda podendo usar da INTERNET . È sumamente importante a conscientização pelo exemplo, ou seja, pela demonstração concreta de que não se aceita negociação com a dignidade humana e de que a atitude de resistência é sempre possível no plano da consciência, ainda que em certos momentos essa resistência não possa ser externada a as circunstâncias obriguem a uma aparência de submissão.


Conscientizar uma pessoa é ajudá-la a fugir da alienação e despertá-la para o uso da razão, dando-lhe condições para que perceba as exigências morais da natureza humana.
Assim, portanto, promover a conscientização e a organização de pessoas e grupos é uma forma relevante de participação política, pois através desses trabalhos muitas pessoas poderão livrar-se da marginalização e adquirir condições para integrar os processos de decisão política. Está na hora do Povo de Pirassununga se libertar, capacitar-se , então participar.


Exercício da Crítica

Todo indivíduo tem o direito e o dever de opinar sobre os assuntos e as decisões que afetem seus interesses, assim como sobre tudo que for de interesse comum. O mais importante é justamente o direito de divergir, de discordar, de manifestar oposição. Mas também é necessário saber enxergar o que é bom, o que é conveniente, o que deve ser mantido ou estimulado. Essa capacidade de fazer distinção entre as coisas, de separar o que é diferente, é a crítica. No seu exato sentido criticar não é ser contra, é analisar e distinguir. Assim, pois, para criticar é preciso conhecer, examinando as coisas com cuidado e objetividade. Do ponto de vista político, todo indivíduo pode e deve fazer constantemente a crítica da organização política e social e do governo. Para tanto é necessário estar atento ao que acontece, procurando obter informações e esclarecimentos, analisando o comportamento dos governantes e dos governados, comparando fatos e situações, fazendo o possível para estabelecer a ligação correta entre as causas e as consequências. Associando fatos, comparando situações, verificando a ligação ou a contradição entre fatos ocorridos em lugares e épocas diferentes, o crítico poderá descobrir a realidade escondida atrás da aparência.

O exercício da crítica é também uma forma importante de participação política, pois fornece elementos para que cada indivíduo proceda conscientemente ao tomar suas próprias decisões e ajude os demais a formarem suas respectivas opiniões. O esclarecimento, a denúncia, a discussão ajudam a participação consciente, mas para serem responsáveis e consequentes é indispensável que tenham por base uma avaliação crítica. Desse modo a participação política será racional, menos sujeita à influência da demagogia e mais coerente com os objetivos políticos pretendidos.

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Sinopse atualizada em 01 de Abril de 2011.